Da sala de cirurgia ao empreendedorismo: como a Surg+ transformou uma lacuna da educação médica em um negócio de referência

Henrique Magno e Bernardo Soares explicam como a busca por treinamentos cirúrgicos de padrão internacional impulsionou a criação da Surg+ e compartilham os desafios de empreender no setor da saúde

Empreender na saúde exige unir conhecimento técnico, visão estratégica e compromisso com a excelência. Foi com esse propósito que Henrique Magno e Bernardo Soares fundaram a Surg+, escola especializada em treinamentos cirúrgicos para médicos, levando ao Brasil um modelo de capacitação que, até então, exigia que muitos profissionais buscassem formação no exterior.

Segundo os sócios, a empresa nasceu da identificação de uma necessidade clara do mercado. “A gente percebeu uma lacuna muito clara no mercado brasileiro. Para ter acesso a um aprendizado cirúrgico realmente seguro, controlado e ultrarrealista, como o que o Fresh Frozen Cadaver proporciona, o cirurgião brasileiro precisava viajar para o exterior. Isso limitava o acesso a poucos, encarecia a formação continuada e desacelerava a disseminação de técnicas avançadas no país. Foi a partir disso que nasceu a Surg+: a gente trouxe essa estrutura para dentro do Brasil e possibilitou que médicos brasileiros treinassem em casa, com o mesmo padrão de excelência que antes só existia fora do país”, afirmam Henrique Magno e Bernardo Soares.

Para crescer em um segmento tão sensível quanto a educação médica, eles destacam que a inovação só faz sentido quando caminha ao lado da qualidade técnica. “A gente só consegue inovar sem abrir mão da qualidade porque se cerca dos melhores professores do mercado, nomes como o Dr. Samuel Zymberg, referência em neurocirurgia, ou o Dr. Eidmar Neri e o Dr. Régis Tavares, que introduziram a técnica UBE no Brasil. São eles que garantem que o rigor técnico nunca seja diluído pela escala do negócio. E tem outro fator que faz muita diferença: a gente está constantemente em congressos, visitando hospitais e empresas do setor. Esse intercâmbio intelectual constante é o que dá direção. A gente entende para onde a especialidade está caminhando antes de construir o próximo treinamento, em vez de tentar adivinhar de dentro de uma sala”, explicam.

Os empresários também ressaltam que transformar conhecimento médico em um negócio sustentável passa por compreender fatores que vão além da prática clínica. “Um dos maiores desafios é que o mercado tem variáveis que fogem completamente da nossa alçada. Um exemplo prático: quando uma operadora de saúde deixa de cobrir determinada cirurgia, as empresas e os médicos daquela especialidade simplesmente param de investir em treinamento para aquela técnica. É uma decisão de terceiros que a gente não controla, mas que impacta diretamente a demanda. Por isso, a gente precisa estar sempre antenado ao que acontece no entorno regulatório e de mercado da saúde, não só no conteúdo técnico em si. Antecipar esses movimentos é parte do trabalho de manter o negócio sustentável”, observam.

Para médicos que desejam empreender, Henrique Magno e Bernardo Soares defendem que desenvolver competências de gestão é tão importante quanto dominar a técnica. “A primeira é entender que excelência clínica e excelência de gestão são competências diferentes e está tudo bem não dominar as duas sozinho. O médico que quer empreender não precisa virar gestor, precisa saber se cercar de quem é. A segunda é pensar em recorrência desde o início: negócio de saúde que vive de evento pontual é frágil. E a terceira é entender que credibilidade técnica abre a porta, mas não sustenta o negócio sozinha. É preciso estrutura comercial, processo e consistência para transformar essa autoridade em algo que cresce de forma previsível”, concluem.

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