O Que é Recuperação Judicial e Quando Ela Pode Ser Solicitada?

Toda empresa está sujeita a crises. Seja por má gestão, problemas de mercado, mudanças econômicas ou até eventos externos (como pandemias), o fato é que muitos negócios passam por dificuldades financeiras. Mas isso não significa que estão condenados à falência.
A recuperação judicial é uma solução legal para reestruturar dívidas, reorganizar a empresa e evitar a falência, garantindo a continuidade das atividades e a preservação de empregos.
Neste artigo, você vai entender o que é a recuperação judicial, quem pode pedir, como funciona o processo e em que situações ela é recomendada.
- O Que é Recuperação Judicial?
- Objetivos da Recuperação Judicial
- Quem Pode Pedir Recuperação Judicial?
- Quando Pode Ser Solicitada?
- Como Funciona o Processo de Recuperação Judicial?
- Quais Dívidas Podem Ser Negociadas?
- Quais São os Benefícios da Recuperação Judicial?
- E os Riscos?
- Recuperação Judicial x Falência x Recuperação Extrajudicial
- Saiba mais
O Que é Recuperação Judicial?
A recuperação judicial é um processo previsto na Lei nº 11.101/2005 (Lei de Recuperação de Empresas e Falências), que permite que empresas em crise financeira, mas ainda viáveis, negociem suas dívidas com credores sob supervisão judicial, com o objetivo de evitar a falência e manter a atividade empresarial.
Base legal: Lei nº 11.101/2005 (atualizada pela Lei nº 14.112/2020)
“A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores.” (Art. 47 da Lei)
Objetivos da Recuperação Judicial
- Evitar a falência da empresa;
- Manter empregos e a atividade econômica;
- Reorganizar financeiramente a empresa;
- Negociar prazos e descontos com os credores;
- Assegurar o pagamento das dívidas conforme a capacidade da empresa.
Quem Pode Pedir Recuperação Judicial?
Nem toda empresa pode entrar com pedido de recuperação judicial. Segundo a Lei 11.101/2005, os requisitos são:
Pode pedir:
- Empresário individual ou sociedade empresária;
- Que esteja regularmente inscrito na Junta Comercial;
- Que exerça atividade há mais de 2 anos;
- Que não tenha sido condenado por crime falimentar;
- Que não tenha solicitado recuperação nos últimos 5 anos.
Não pode pedir:
- MEI (Microempreendedor Individual);
- Profissionais liberais organizados como sociedade simples (ex: médicos, advogados);
- Associações sem fins lucrativos;
- Instituições financeiras, como bancos, cooperativas de crédito, corretoras.
Quando Pode Ser Solicitada?
A recuperação judicial pode ser solicitada quando a empresa:
- Está em crise financeira momentânea, mas ainda é viável economicamente;
- Não consegue pagar suas dívidas no curto prazo, mas possui potencial de se reerguer;
- Precisa de tempo e condições especiais para reorganizar suas finanças e continuar operando.
Atenção: Não se trata de “fugir das dívidas”, mas de negociar com os credores de forma legal e supervisionada pelo Judiciário.
Como Funciona o Processo de Recuperação Judicial?
O processo de recuperação judicial segue fases bem definidas:
1. Pedido Inicial ao Juiz
A empresa apresenta:
- Petição inicial com justificativas da crise;
- Relação de credores e valores devidos;
- Balanços contábeis e documentos fiscais;
- Projeção de viabilidade econômica.
Nesse momento, o juiz pode aceitar ou indeferir o pedido.
2. Deferimento e Suspensão das Cobranças
Se o pedido for aceito:
- Todas as ações de execução contra a empresa são suspensas por 180 dias;
- O juiz nomeia um administrador judicial;
- Os credores são notificados.
3. Apresentação do Plano de Recuperação
A empresa deve apresentar, em até 60 dias, um plano de recuperação com:
- Propostas de parcelamento;
- Possíveis descontos (deságios);
- Reestruturação de dívidas e prazos;
- Estratégias para manter a atividade.
4. Assembleia Geral de Credores
Os credores se reúnem para analisar e votar o plano.
- Se aprovado: o plano entra em vigor.
- Se rejeitado: o juiz pode converter o processo em falência.
5. Cumprimento do Plano
A empresa deve cumprir o que foi prometido no plano. Se descumprir, pode sofrer falência imediata.
Quais Dívidas Podem Ser Negociadas?
Podem entrar na recuperação:
- Dívidas com fornecedores e bancos;
- Dívidas trabalhistas (com prioridade de pagamento);
- Contratos de aluguel, empréstimos, etc.
Não entram:
- Tributos federais (a menos que haja parcelamento específico);
- Dívidas posteriores ao pedido de recuperação;
- Multas de caráter penal ou administrativo.
Quais São os Benefícios da Recuperação Judicial?
Suspensão temporária das cobranças judiciais;
Renegociação legal com todos os credores;
Chance real de reestruturar e evitar a falência;
Continuidade das atividades e preservação de empregos;
Ganha tempo para reorganizar a gestão e o fluxo de caixa.
E os Riscos?
Se a empresa não cumprir o plano, pode ser decretada a falência;
Processo é público e visível, podendo afetar a reputação;
Envolve custos judiciais e honorários;
Exige planejamento sério e comprometimento.
Recuperação Judicial x Falência x Recuperação Extrajudicial
| Procedimento | Objetivo | Judicial? | Acordo com credores obrigatório? |
| Recuperação Judicial | Evitar a falência | Sim | Sim |
| Recuperação Extrajudicial | Evitar falência, mas com menos formalidade | Parcial | Sim (mas mais flexível) |
| Falência | Encerrar a empresa | Sim | Não |
A recuperação judicial é uma ferramenta poderosa que permite salvar empresas em crise, preservando empregos, fornecedores e a economia local. Quando usada de forma responsável e estratégica, oferece à empresa uma nova chance de se reorganizar financeiramente e manter suas atividades.
Por outro lado, é um processo complexo, que exige transparência, boa-fé e acompanhamento profissional, com o auxílio de advogados, contadores e consultores especializados.
Felipe Bellini Advogado
Saiba mais
1. O que é recuperação judicial?
É um processo judicial que permite à empresa em crise negociar suas dívidas para evitar a falência.
2. Quem pode pedir recuperação judicial?
Empresários e sociedades empresárias com mais de 2 anos de atividade e registro na Junta Comercial.
3. MEI pode pedir recuperação judicial?
Não. O MEI não é considerado sociedade empresária para esse fim.
4. Quanto tempo dura o processo?
Pode durar de alguns meses a vários anos, dependendo da complexidade do caso.
5. As dívidas somem com a recuperação?
Não. Elas são renegociadas, e a empresa deve cumpri-las conforme o plano aprovado.
6. Precisa de advogado para entrar com o pedido?
Sim. É um processo judicial que exige representação legal.
7. O que acontece se os credores não aceitarem o plano?
O juiz pode decretar a falência da empresa.
8. Posso continuar operando durante a recuperação?
Sim. O objetivo é justamente manter a empresa ativa.
9. A empresa pode fazer novos contratos durante o processo?
Sim, desde que respeite as regras e não prejudique os credores.
10. E se a empresa não cumprir o plano?
Ela pode ter sua falência decretada imediatamente.
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